ABRATES em Foco

Nota de Falecimento: José Tadashi Yorinori

05/02/2017

TadashiO fitopatologista José Tadashi Yorinori, um dos melhores e mais renomados do Brasil, faleceu na noite de segunda-feira (13), após uma parada cardíaca. O pesquisador seguia internado desde o final de abril, após sofrer um acidente ao cair de uma escada em sua casa, em Londrina, no Paraná.
Aos 72 anos, Tadashi era engenheiro agrônomo, com mestrado na universidade de Cornell e Doutorado na Universidade de Illinois nos Estados Unidos e mais de 40 anos de experiência. Iniciou seu trabalho no Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) e foi pesquisador da Embrapa Soja, de 1978 a 2007. Atualmente, prestava consultoria para produtores rurais e entidades ligadas ao setor produtivo no Brasil e no exterior.
A ABRATES lamenta profundamente a perda do grande amigo, cientista, pesquisador e mais importante fitopatologista de soja. Mundialmente reconhecido pelos trabalhos realizados com mancha olho-de-rã na epidemia de 1972, com o cancro da haste em 1989 e mais recentemente no combate à ferrugem asiática, sendo a descoberta da doença no Brasil e o estabelecimento do vazio sanitário parte de suas maiores contribuições para o controle da patologia no país. O pesquisador deixa um legado científico e lição de humildade, dedicação e paixão pela pesquisa ao longo de sua trajetória.Tadashi deixa esposa, quatro filhos e três netos.

Sementes de alto vigor asseguram aumento na produtividade

05/02/2017

Abrates em Foco 1

Agricultores e setor de pesquisa apontam vantagens no uso de sementes de qualidade


Mesmo no cenário econômico atual, o setor agropecuário brasileiro vem mantendo seu crescimento e reafirmando sua posição de referência mundial. Prova disso são os resultados da safra 2015/16 de soja. Segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento - CONAB, foram produzidas mais de 101 milhões de toneladas em 33 milhões de hectares.
Dentre as razões para o bom desempenho destacam-se a crescente presença das tecnologias no campo e o protagonismo que o País exerce no âmbito científico, especialmente no ramo de sementes. Estima-se que 70% desta produção venha de áreas tropicais, o que demanda a utilização de cultivares adaptadas às altas temperaturas. Para atender essa demanda os setores de pesquisa e as empresas trabalham para oferecer sementes específicas, de elevada germinação e vigor.


Vigor de sementes
Segundo a associação Oficial dos Analistas de Sementes dos Estados Unidos (AOSA), o termo “vigor de sementes” envolve “aquelas propriedades das sementes que determinam o seu potencial para uma emergência rápida e uniforme e o desenvolvimento de plântulas normais sob ampla diversidade de condições de ambiente”. A definição é ampla e contempla fatores importantíssimos: a emergência rápida e uniforme das plantas, seu desenvolvimento normal e o desempenho das sementes independente das condições ambientais.
Muitos produtores ainda não conhecem o conceito completamente e creem que basta obter a população ideal de plantas, recomendada para cada cultivar, para que o estabelecimento e a produtividade da lavoura estejam assegurados.
Um exemplo clássico é o agricultor que opta por sementes de vigor médio ou baixo e aumentando a densidade de semeadura, acredita que chegará ao estande ideal de plantas para aquela cultivar. Até certo ponto, isto pode ser verdadeiro, porém as plantas desta população não terão alto desempenho e, consequentemente, a lavoura não se desenvolverá em toda sua potencialidade.


Estudos comprovam
Diversas pesquisas realizadas no Brasil atestam as vantagens de sementes de alto vigor. Uma das primeiras, de 1983, contou, inclusive, com contribuições de membros da ABRATES, o ex-presidente e atual diretor financeiro, José de Barros França Neto, e o atual presidente, Francisco Krzyzanowski, além de outros pesquisadores. Foram avaliadas as três cultivares de soja mais plantadas há época no Estado do Paraná (Paraná, Davis e Bossier), com três níveis de vigor (alto, médio e baixo) e alta densidade de semeadura. Após a emergência, realizou-se um desbaste deixando a mesma população de plantas - que era a recomendada para as referidas cultivares na época - para todos os tratamentos (400 mil plantas/ha). Na colheita, as plantas originadas de sementes de alto vigor foram 12,8% mais altas do que as de baixo vigor e a produtividade foi superior em 24,3%.
Em 2005, Eliane Maria Kolchinski, Luis Osmar Braga Schuch e Silmar Teichert Peske realizaram um trabalho, em Pelotas (RS), utilizando sementes com um gradiente de cinco níveis de vigor: baixo, com 70% de emergência em canteiro e 75% de germinação, até vigor alto, com emergência de 95% e germinação de 94%. Tais níveis foram criados mediante a mescla de sementes de alto e baixo vigor nas seguintes proporções: 100% alto vigor; 75% alto e 25% baixo; 50% alto e 50% baixo; 25% alto e 75% baixo; e 100% de baixo vigor. Os autores verificaram que as plantas oriundas de sementes do mais alto vigor produziram 25% a mais de vagens por planta, resultando em parcelas experimentais com 35% a mais de rendimento de grãos em relação às oriundas de sementes de baixo vigor.
Para os agricultores, atenção e consciência - é preciso conhecer as opções disponíveis no mercado e as tecnologias inclusas para buscar escolher sempre visando a melhor produtividade e resultado na lavoura. Para os pesquisadores e estudiosos, o tema é sempre pertinente e os avanços são constantes, por isso a necessidade de buscar atualização frequente.

Ensino de sementes no Brasil é referência, mas precisa de constantes investimentos

05/02/2017

Reconhecido internacionalmente como um grande polo de ensino de sementes, o Brasil é figura importante e de destaque em grandes eventos da área e nas publicações técnico-científicas produzidas em todo o mundo. Atualmente, segundo o professor da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, da Universidade de São Paulo (ESALQ/USP), autor de importantes livros da área, e titular do Conselho Fiscal da ABRATES, Dr. Júlio Marcos Filho, o País é líder na produção de conhecimento sobre sementes, fato comprovado há mais de 10 anos em congressos promovidos pela International Seed Testing Association (ISTA), a mais importante instituição do setor no âmbito científico.
Silvio Moure Cicero 1O também doutor e professor da ESALQ/USP Silvio Moure Cícero reitera a informação e completa: “É importante destacar que existem no Brasil cerca de 5.500 engenheiros agrônomos que atuam nas mais diversas áreas que compõem o segmento de sementes e que existem no Brasil cerca de 600 empresas produtoras de sementes”.
Não por acaso, o Brasil é, também, referência em produtividade. É o que comprova um estudo realizado pela Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) em conjunto com a agência das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), divulgado em julho de 2015. O documento afirma que, se forem considerados os Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) e os membros da OCDE, que inclui principalmente economias desenvolvidas, o Brasil "é o país que mais melhorou sua produtividade total de fatores (PTF) agrícolas", alcançando um aumento de mais de 4% em sua produtividade desde 2000.
Dentre outros fatores, o recorrente estudo sobre sementes e o melhoramento genético são responsáveis por estes bons resultados, assim como a constante tomada de consciência do agricultor em relação à importância de sementes puras e vigorosas para a ocorrência de boas lavouras. “A semente constitui o insumo que conduz os avanços da genética para o campo e, também é responsável pelo sucesso do estabelecimento do estande constituído por plântulas vigorosas em campo. Isto constitui a base para a obtenção de alta produtividade em campos de produção de grãos, hortaliças, frutas, forrageiras e essências florestais. Por isso, esse conhecimento não pode faltar na composição de programas de ensino em escolas de agronomia, engenharia florestal e zootecnia”, explica Marcos Filho.
Mas toda essa relevância não surgiu de um dia para o outro. O ensino de sementes no País começou em meados da década de 60, na ESALQ/USP e na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), quando professores que participaram de aperfeiçoamentos na Universidade Estadual do Mississippi, nos Estados Unidos, trouxeram os primeiros programas de graduação e pós-graduação. Segundo o professor Silvio Moure Cícero, o impulso maior ocorreu em 1972, com o lançamento do programa Apoio Governamental para a Implantação do Plano Nacional de Sementes, que iniciou todo o suporte à organização da produção, ao ensino e à pesquisa de sementes no Brasil.

Professor Julio Marcos FilhoDepois disso, de acordo com o professor Marcos Filho, outros cursos, em diferentes instituições de ensino, começaram a ser criados gradativamente. “Hoje, o ensino nessa área está disseminado em todo o território, em universidades estaduais, federais e instituições particulares, além de alguns institutos de pesquisa que oferecem programas ou disciplinas de pós-graduação”, conta. As mais modernas, segundo ele, abordam conhecimentos na área de análise computadorizadas de imagens e de biologia molecular associada à qualidade de sementes. Uma delas, conta Moure Cícero, é a disciplina de “Análise de Imagens de Sementes e Plântulas”, instituída a nível de pós-graduação na ESALQ/USP, em 2014, que trata de assuntos relacionados à utilização de técnicas de análise de imagens como raios X, microtomografia de raios X, ressonância magnética, fluorescência de clorofila, imagens multiespectrais e hiperespectrais e análise computadorizada de plântulas.

É com bons programas e disciplinas cada vez mais modernas, como a citada anteriormente, segundo Marcos Filho, que as instituições brasileiras têm diplomado grandes profissionais. No entanto, para ele, as disciplinas de graduação não podem ser consideradas as únicas fontes de formação profissional. “Cada disciplina geralmente tem carga horária de 60 horas e isto corresponde a dois dias e meio. Em que atividade cada indivíduo pode se tornar competente neste período tão curto? Por isso, para aprimorar sua formação, o estudante deve realizar atividades extracurriculares e o profissional procurar, sempre, realizar atividades que permitam a atualização permanente dos conhecimentos”, recomenda. O que é possível fazer nas próprias universidades, ingressando em cursos de pós-graduação, ou em outras atividades oferecidas pelos diversos institutos de pesquisa situados em diferentes regiões do País, como é o caso da própria ABRATES, que já há alguns anos tomou a iniciativa de promover cursos de atualização de conhecimentos na área.
Todos estes fatores aliados ao esforço empregado desde o início do ensino de sementes no Brasil e à atuação da iniciativa privada neste mercado resultaram na construção de um grande polo, capaz de formar profissionais altamente competentes, eficientes e dedicados.
Apesar disso, de acordo com Marcos Filho, o setor acadêmico lida com uma urgência estrutural. “Professores formadores de opinião estão se aposentando sem reposição. O exemplo mais marcante foi o ocorrido recentemente na Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias de Jaboticabal/UNESP, com a perda não reposta de expoentes. Infelizmente, esse cenário deve se repetir a médio prazo e também pode ser vislumbrado em instituições de pesquisa”, opina. Para ele, a solução é uma só: “Os dirigentes devem voltar a investir pesado para evitar o desmantelamento do ensino e pesquisa em sementes no País”. Moure Cícero concorda e afirma que é necessário tomar medidas não para melhorar, pois o cenário do ensino de sementes, graças a todos os fatores já citados, é bastante positivo, mas para manter tudo aquilo que se conquistou duramente durante estes 50 anos de ensino, estudo e investimento.

 

ABRATES promove curso para Avaliação da Qualidade Fisiológica de Sementes de Algodão

05/02/2017

O I Curso Teórico - Prático de Avaliação da Qualidade Fisiológica de Sementes de Algodão será realizado de 18 a 20 de Julho 2016, no Laboratório de Sementes do Instituto Federal Goiano - Campus Rio Verde, localizado na Av. Sul Goiânia, Km 1, Zona Rural - Rio Verde - GO.

A capacitação é promovida pela Associação Brasileira de Tecnologia de Sementes - ABRATES e pela Universidade Federal de Lavras – UFLA, com apoio da ABRASEM e IF Goiano - Câmpus Rio Verde.

 

Conduzem o evento, os professores Dr. João Almir de Oliveira (UFLA) e Dra. Juliana de Fátima Sales (IF Goiano - Câmpus Rio Verde). O objetivo é capacitar profissionais da indústria brasileira de sementes para a avaliação da qualidade fisiológica de sementes de algodão, de acordo com as Regras para Análises de Sementes (Brasil, 2009). No curso, será dado enfoque também ao teste de tetrazolio e testes de vigor.

 

Capacite-se para o mercado de trabalho sendo Analista de Sementes de Algodão certificado pela UFLA/ABRATES!
O prazo para as inscrições é até o dia 01/07.

Informações:  (43) 3025-5120

Inscrições: http://www.abrates.org.br/eventos/

Embrapa Soja realiza XI Curso de Vigor de Soja

05/02/2017

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) realiza de 11 a 15 de julho o XI Curso de Vigor para Semente de Soja, no Núcleo de Sementes da Embrapa Soja, em Londrina (PR). O objetivo é fornecer conhecimentos sobre as metodologias aplicadas em testes de vigor de semente para profissionais das áreas de produção, análise, extensão, ensino e pesquisa em semente.

O conteúdo teórico aborda a conceituação sobre o vigor em sementes e os princípios de alguns testes de vigor. Nas aulas práticas, serão demonstradas detalhadamente as metodologias dos principais testes de vigor: envelhecimento acelerado, frio, condutividade elétrica, comprimento de plântula, classificação do vigor de plântula, tetrazólio, deterioração controlada e germinação a baixa temperatura.

A utilização desses testes de vigor pelos laboratórios de semente possibilita um refinamento no sistema de controle de qualidade. Isso resulta na produção de semente de qualidade mais elevada.

Atualmente cerca de 70% da produção brasileira de soja está concentrada em regiões tropicais, que apresentam condições estressantes para a produção de sementes de alta qualidade. Por isso, a importância de se utilizar sementes vigorosas para assegurar o estabelecimento de uma população adequada de plantas mesmo sob condições não ideais. Com a utilização de técnicas especiais, é possível disponibilizar no mercado sementes de elevada germinação e vigor. O resultado aparece na colheita, já que as plantas originadas de sementes de alto vigor são mais altas do que as de baixo vigor e a produtividade é superior em aproximadamente 24,3%.

O curso contará com a participação de professores de renome sobre o assunto, destacando-se: Julio Marcos Filho e Silvio Moure Cicero, da USP/ESALQ, Roberval Daiton Vieira, da FCAV/UNESP-Jaboticabal, além dos pesquisadores da Embrapa Soja, Ademir Assis Henning, Francisco Carlos Krzyzanowski, Fernando Augusto Henning, Irineu Lorini e José de Barros França Neto.

Data: de 11 a 15 de julho de 2016

Local: Embrapa Soja – Londrina

Número de vagas: 40

Público alvo: profissionais das áreas de produção, análise, extensão, ensino e pesquisa em Inscrições: A inscrição deverá ser realizada diretamente no site do curso, preenchendo o formulário. O boleto será gerado após o preenchimento e tem vencimento de 3 dias.

www.embrapa.br/soja/vigor

vigor@fbeventos.com

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A publicação também poderá auxiliar a divulgação dos avanços e pesquisas nas áreas de Ciência e Tecnologia, publicados no Journal of Seed Science, antiga Revista Brasileira de Sementes (RBS), e no Informativo ABRATES.

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