Notícia

25 Fev
  • nenhum comentário
    Aumentar tamanho do texto Diminuir tamanho do texto

Mercado de sementes movimenta R$ 10 bi ao ano no Brasil

O mercado de sementes movimenta R$ 10 bilhões ao ano no Brasil, que tem a terceira maior indústria do mundo no setor, atrás de Estados Unidos e China, segundo a Associação Brasileira de Sementes e Mudas (Abrasem). O mercado cresceu 122% em dez anos, ao passar de 1,8 milhão de toneladas na safra 2005/06 para 4 milhões em 2015/16. 

A entidade aponta a indústria como principal responsável pelo aumento de produtividade no País, com até 15 mil quilos por hectare (kg/ha) para o milho e mais de 5 mil kg/ha para a soja. Isso porque consideram na Abrasem a estimativa de que 94% de toda a soja semeada no Brasil, 85% do milho e 74% do algodão são transgênicos. 

A produção da matéria-prima é tão importante para o agronegócio que as cooperativas paranaenses buscam garantir toda a oferta aos associados. A Integrada Cooperativa Agroindustrial, de Londrina, trabalha em parceria com 150 agricultores de sementes, que entregam 16 mil toneladas de variedades de soja e 10 mil toneladas de trigo. "É visto como estratégico, porque cada saca de sementes que colocamos à disposição do agricultor, vai refletir em 30 sacas de produção", diz o gerente de produção do setor na Integrada, Romildo Birelo. 

Cerca de 5% da receita da Integrada tem origem nas sementes, que cobre praticamente toda a necessidade dos cooperados. "No milho, não, porque são as grandes companhias que concentram a produção. Não dá para fazer a multiplicação como na soja", cita Birelo. 

Para ele, não são apenas os transgênicos que diferenciam os produtos comprados, mas a tecnologia incorporada. "Quase 100% têm pagamento de royalties, mas o produtor enxerga o valor agregado e o benefício em cima da produção", afirma o gerente de produção. 

O presidente da Associação Brasileira de Tecnologia de Sementes (Abrates), Francisco Carlos Krzyzanowski, considera que o produtor despertou para a importância da saúde da semente nos últimos cinco anos. "Antes ele pensava, 'germinação mínima de 80%, vou para o mercado, pau na máquina e estou vendendo', mas isso qualquer um faz", diz. O período, acredita, coincide com o momento em que a indústria focou no desenvolvimento do vigor das plantas. "Fazer uma semente com 95% de vigor, com germinação de 98%, 99%, pouca gente consegue. E é isso que fideliza cliente e que mantém a empresa no mercado." 

Desafios 
Novas cultivares e produtos com avanços tecnológicos entram no mercado ano a ano. Somente a Embrapa lançou no início de 2017 a cultivar de feijão carioca BRS FC402, cujo destaque é a resistência à antracnose e à murcha de fusário. Para a soja, a novidade é a BRS 413RR, desenvolvida em parceria com a Fundação Meridional de Apoio à Pesquisa, que visa o alto potencial produtivo, a boa sanidade e a precocidade. Ainda, a cultivar é resistente às principais doenças da soja como cancro da haste, mancha olho de rã, oídio, podridão parda da haste. 

Para os próximos anos, o presidente da Abrates acredita que o desafio para a indústria e pesquisadores será desenvolver não apenas novas variedades, mas avançar em termos de análise e desenvolvimento de equipamentos. Por isso, a entidade promoverá em agosto o 20º Congresso Brasileiro de Sementes, em Foz do Iguaçu, que contará com cientistas de países como Holanda, França, Suíça e EUA, além de um público de mais de 600 pessoas, entre produtores de sementes e profissionais do setor. Ele lista como temas abordados os novos equipamentos para colheita da semente sem dano mecânico, o uso de interferência do RNA (ácido ribonucleico, na sigla em inglês) para controle de pragas, o debate sobre a soja resistente à seca e o avanço em testes de sanidade.

Fábio Galiotto
Reportagem Local - Folha de Londrina - Folha Rural 25/02/2017

deixe seu comentário



Torne-se um associado

E integre uma importante rede de pesquisa e ciência

Associe-se

Inscreva-se agora e receba nossa newsletter