MATURAÇÃO E COLHEITA DE SEMENTES DE PLANTAS FORRAGEIRAS
FRANCISCO H. DÜBBERN DE SOUZA
As plantas forrageiras apresentam características de produção de sementes que tornam extremamente críticas as decisões sobre a colheita, em particular as relativas ao momento de iniciá-la e à escolha do método. A determinação do momento mais apropriado para o início da colheita deve fundamentar-se em conhecimentos sobre a dinâmica do processo de maturação de sementes individuais e em populações de inflorescências. Para tanto, o produtor deve valer-se de diversos "índices de maturação", cuja confiabilidade está na dependência direta da sua experiência pessoal, na freqüência e abrangência de suas observações e das características climáticas locais. Na escolha do método de colheita, devem ser consideradas as peculiaridades da espécie ou cultivar, o manejo aplicado, as condições locais de clima, o volume desejado, as condições de mercado, a disponibilidade de recursos e equipamentos, além de outros fatores. Os métodos manuais são eficientes do ponto de vista de recuperação das sementes produzidas pela planta e, em geral, resultam em sementes de boa qualidade. Entretanto, são métodos cuja popularidade tende a decrescer à medida em que a mão-de-obra se torna escassa e cara, fato atual em muitas regiões do Brasil. Isto tem incentivado a adoção de métodos mecânicos de colheita, apesar de que, no Brasil, não existem equipamentos especificamente desenvolvidos para este propósito, disponíveis comercialmente. Deste modo, além de alguns poucos equipamentos desenvolvidos e fabricados pelos próprios produtores, a colheitadeira mecânica de cereais tem sido empregada em escala crescente (apesar de sua baixa eficiência na recuperação das sementes produzidas) principalmente devido à sua larga disponibilidade. O sucesso do emprego deste equipamento na colheita de sementes de plantas forrageiras depende muito de adaptações e regulagens adequadas. Os problemas de colheita de sementes de plantas forrageiras podem ser atenuados pela aplicação, em intensidade e épocas apropriadas, de práticas de manejo que dependem da espécie ou cultivar, do método de colheita a ser empregado, da disponibilidade de recursos e equipamentos, dos objetivos a serem alcançados e de outros fatores. Estas práticas podem resultar em maiores produtividades, não apenas devido à interferência na produção de sementes pela planta, mas também devido à maior eficiência da colheita, já que elas podem adequar as plantas aos meios, métodos e equipamentos a serem empregados.
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