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A riqueza dos grãos pulses
08/07/2022

Os grãos pulses são os primos ricos das leguminosas. Ricos em nutrientes e considerados superalimentos. Ricos também em potencial de mercado. Só o setor vegano brasileiro, que consome muitos alimentos à base de sementes secas, cresce 40% ao ano. O Brasil importa quase que a totalidade desses produtos. Porém, é preciso mover as peças desse tabuleiro comercial. Além do desenvolvimento de tecnologias de genética é necessário fomentar a produção.

A Embrapa Hortaliças, em Brasília, outras instituições de pesquisa e produtores de sementes têm feito um grande esforço para mudar o cenário.

Demanda existe para consumo interno e, futuramente, com o aumento da produção, o país poderá conquistar o mercado internacional, como acontece hoje com a soja e o milho.

Pulses são leguminosas secas. No Brasil, os mais conhecidos são o feijão, a ervilha, a lentilha e o grão-de-bico A palavra pulse vem do latim “puls” que significa “sopa grossa”, porque produz um caldo espesso.

Warley Marcos Nascimento é pesquisador da Embrapa Hortaliças. Doutor em Ciências Hortícolas (Fisiologia de Sementes) pela Universidade da Florida (1998) e pós-doutorado pela mesma universidade (2007), ele destaca a importância do incentivo ao aumento da produção de pulses.

O pesquisador participará de uma mesa redonda sobre o mercado de pulses no XXI Congresso Brasileiro de Sementes (CBSementes), que acontece de 12 as 15 de setembro, em Curitiba (PR).

Em sua participação na mesa redonda, o pesquisador falará sobre o potencial e o panorama da produção brasileira de pulses e as oportunidades que existem para os produtores.

“Além de reduzirmos as importações, evitaremos a evasão de divisas com geração de empregos, no Brasil. Para fomentar a produção dessas leguminosas no país, a Embrapa tem desenvolvido variedades adaptadas às condições brasileiras. O segundo ponto é que é necessário fazer essas variedades chegarem na cadeia produtiva. Esse é o trabalho, que a gente tem feito com alguns parceiros. A nossa apresentação no Congresso de Sementes vai focar essa perspectiva”, afirma Nascimento.

A rodada de conversa contará ainda com relatos de experiências na produção de pulses por cooperativas e de um produtor de sementes parceiro da Embrapa.

Manejo

Ervilha e lentilha se adaptam melhor ao clima temperado do Centro-Sul do país e regiões de altitude, como Chapadas no Mato Grosso e Brasília. O grão-de-bico pode ser plantado em regiões amenas, excetuando Norte e Nordeste. A leguminosa se adapta ao Sul, como também no Cerrado e Centro-Oeste, exemplo do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul”, explica Nascimento.

“Podem ser plantados em sistema de rotação entre a soja e o milho. No caso do grão-de-bico, é uma alternativa para segunda ou uma terceira safra”, orienta o pesquisador.

O produtor rural sabe bem o que significa a expressão “não se pode colocar todos os ovos na mesma cesta”.

Nascimento comenta que o plantio de pulse é uma opção a mais que o produtor tem para evitar prejuízos com a seca e geadas O grão-de-bico é bastante resistente e tolerante ao déficit hídrico.

Além disso, o custo de produção é menor, a produtividade também é melhor, mas, o aumento de área plantada ainda esbarra na falta de conhecimento dos produtores sobre manejo e rentabilidade.

“A gente tem que melhorar esse mercado. É uma commodity, que pode atender a demanda das indústrias por alimentos para um público que busca produtos de melhor qualidade, mais saudáveis, relacionados, principalmente com proteína vegetal. Estamos falando de um público, tanto vegano, como vegetariano e flex vegetariano. Isso representa 15% dos brasileiros, uma população estimada em 27 milhões de pessoas. Além disso, existe o público celíaco ou intolerante ao glúten e que busca alimentos feitos com esse tipo de farinha. Os grãos pulses são culturas bastante versáteis”, assegura o pesquisador. Ele acrescenta que, não basta a Embrapa produzir variedades e tecnologias, é preciso que cheguem na ponta da cadeia.

Nascimento diz ainda que é necessário aumentar o número de produtores de sementes credenciados para fazer crescer a produção. Com isso, seria possível atender ao mercado interno e, futuramente, ao externo. Vários países consomem sementes secas, o que abre caminho para o Brasil se tornar um grande player desse mercado internacional.

Custos e rentabilidade

O custo de produção do grão-de-bico, comparado ao do feijão, por exemplo, principalmente no cultivo irrigado, é em torno de 25% a 30% mais barato, obtendo uma rentabilidade também superior.

  • uma cultura rústica e que não gosta muito de água. Como é uma cultura relativamente nova no Brasil, não sofre ataques de muitas doenças, a exemplo da soja e do feijão de irrigados. O gasto com água e aplicação de defensivos químicos é bem menor, porque não temos tantas pragas e doenças atacando a cultura. Com isso, o custo de produção cai bastante”, conclui Nascimento.

 

Serviço

XXI Congresso Brasileiro de Sementes

Data: 12 a 15 de setembro de 2022

Local: Expo Unimed, Curitiba (PR)

Inscrições: https://www.cbsementes.com/