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11 May
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Live reúne especialistas e leva informação ao produtor rural

Pesquisadores responderam sobre questões práticas. Conteúdo está disponível na íntegra e pode ser acessado no Youtube da ABRATES

A Equipe de Tecnologia de Sementes e Grãos da Embrapa Soja participou de uma live no dia 30/04 para debater sobre os principais gargalos na produção de sementes de soja no mercado brasileiro. A  conversa foi parte da programação do Show Virtual, promovido pela Grazmec e está disponível na íntegra nas Redes Sociais da empresa e da Associação Brasileira de Tecnologia de Sementes.  

Os pesquisadores responderam sobre questões práticas do dia a dia e, com certeza, criaram uma grande oportunidade para encurtar o caminho entre os laboratórios de pesquisa e a lavoura. Nada escapou dos questionamentos preparados pela equipe da Grazmec.  

Implantar a lavoura
Começando pela escolha do local ideal para implantar a lavoura. “A produção de sementes começa com a instalação dos campos de produção. A seleção das melhores áreas para se produzir sementes é altamente relevante. Alta fertilidade do solo, boa drenagem do solo, livre de plantas daninhas, sem encharcamento, que podem provocar soja verde e trazer problemas com sementes esverdeadas.”, frisou Francisco Carlos Krzyzanowski. 

Fazer a padronização das sementes é uma importante estratégia para melhorar a qualidade fisiológica do lote. Segundo o especialista, esse cuidado permite o descarte de sementes de qualidade inferior e assegura a entrega de uma semente com alta taxa de retenção de peneira - entre 90% e 95% - para o produtor rural. Característica essencial para que a semeadora possa fazer uma distribuição equidistante das sementes, o que influencia na qualidade  da instalação da lavoura de soja, sem falhas e sem aglomerados de plantas, característica importante para aproveitar o potencial produtivo da cultivar, desde que estejam assegurados nutrientes e disponibilidade hídrica. A população de plantas adequada e tecnicamente bem distribuída no campo contribui para o manejo sanitário da lavoura, tendo como resultado plantas de melhor desempenho agronômico, o que significa um maior número de vagens por planta, portanto, uma maior produtividade. 

Colheita e dano mecânico
Para Krzyzanowski, a colheita é o grande momento da produção de sementes de soja e precisa ser feito da forma mais correta possível. “O que é colher de forma correta? A planta na umidade adequada, a semente na umidade adequada, a regulagem adequada da colhedora para não impor dano mecânico.”, esclarece. 

O especialista ainda alerta para as taxas de tolerância a serem observadas: de 3% para sementes partidas, as populares “bandinhas” e de até 10% para microfissura (dano não aparente) já que os danos mecânicos, especialmente as microfissuras, alteram o comportamento das sementes na armazenagem e no tratamento. 

Tratamento de Sementes
Sobre o tratamento de sementes de Soja, o pesquisador Ademir Assis Henning recorda a evolução do país nas últimas décadas. Nos anos 90, apenas 5% dos produtores tratavam suas sementes. Hoje, esse percentual chega a 95% e mais de 40% é semente tratada industrialmente.  E alerta, mais uma vez, para a importância da qualidade da semente. 

“É muito importante ter um bom equipamento para tratar a semente e hoje nós temos, e mais do que isso, a semente tem que ter boa qualidade. Você não leva um filé mignon para o freezer para esperar que ele melhore, a semente tem que ter qualidade, você não vai corrigir um problema fisiológico, um dano de percevejo com fungicida, por exemplo”. 

Alerta! Semente esverdeada
O estresse climático sofrido na fase de pré-colheita com veranicos e altas temperaturas observadas em algumas regiões do país - em especial no RS, Oeste de SC e PR, Sudoeste de SP e Sul do MS - “provocou a morte prematura da lavoura e a maturação forçada das sementes em altas temperaturas (acima de 30 graus)”, o que prejudica a degradação da clorofila na semente e acaba conferindo o tom esverdeado, explica José de Barros França-Neto.  

“O ideal é ter 0% de sementes verdes, mas em anos de estresse como este, a gente fala para o produtor que pode levar para a UBS um material com até 9% de sementes verdes. Isso é um limite máximo, porque acima disso a gente sabe que toda semente verde, depois de dois, três, quatro meses de armazenagem, vai ter 0% de germinação e vigor”, alerta o pesquisador.  

Para separar estas sementes na Unidade de Beneficiamento, a dica dos pesquisadores é apostar na classificação das sementes por tamanho, descartando as sementes menores. Máquinas com separação de cor também ajudam a reduzir o percentual de sementes verdes no lote. Outro ponto é atentar para o armazenamento adequado destas semente, se possível optando por um armazém resfriado. 

Biotecnologia na solução de problemas 
O pesquisador Fernando Henning trouxe para a conversa a importância do uso da biotecnologia como caminho para a solução de alguns desafios enfrentados pelo produtor de semente no país, com destaque para o programa Qualigrãos, desenvolvido na Embrapa Soja, que constatou mistura varietal presente em todas as regiões produtoras de sementes. 

“Nós avaliamos a qualidade de sementes e grãos do Brasil como um todo... e uma das coisas que nos chamou a atenção é com relação a qualidade genética. A gente tem que abrir os olhos e pensar em ferramentas que nos auxiliem no controle de qualidade do ponto de vista genético, devido à mistura varietal que a gente estava encontrando nas amostras de sementes de soja”, explica. 

Um novo projeto de pesquisa prioritário da Embrapa Soja está focado na análise do ponto de vista genético e molecular das sementes verdes e dos efeitos de situações climáticas, como a chuva em pré-colheita, para a qualidade da semente. O objetivo é colher e analisar amostras colhidas com produtores e instituições de várias regiões do país para traçar uma orientação mais clara ao produtor sobre o desempenho das variedades frente às diferentes situações climáticas.      

Participaram da live os pesquisadores:

*Ademir Assis Henning -  Engenheiro Agrônomo Ph.D. em Agronomia/Patologia de Sementes,  Membro do Comitê Científico do XXI Congresso Brasileiro de Sementes e ex-presidente da ABRATES (gestões 1999-2001 e 2001-2003).

*Fernando Augusto Henning - Engenheiro Agrônomo Dr. em Ciência e Tecnologia de Sementes/Biotecnologia em Sementes e Vice-presidente da ABRATES.

*Francisco Carlos Krzyzanowski Engenheiro Agrônomo Ph.D. em Agronomia/Tecnologia de Sementes, e presidente da ABRATES. 

*José de Barros França-Neto Engenheiro Agrônomo Ph.D. em Agronomia/Tecnologia de Sementes e Diretor financeiro da ABRATES. 


A transmissão está disponível em nosso canal no YouTube (LINK).

 

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